Doenças do trabalho no home-office: Como evitá-las?

O que são doenças ocupacionais?


As doenças ocupacionais englobam todas as condições negativas que podem atrapalhar a produção e desempenho do colaborador. Nesse quesito, podemos citar dois tipos, que possuem importantes diferenças, a doença profissional e a de trabalho.


Doença Profissional


É originada e adquirida pelo próprio trabalho exercido e das condições e ambiente impostos ao colaborador.
Segundo a ANAMAT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), são consideradas doenças profissionais:

  • Dermatites Alérgicas de contato;
  • Surdez Definitiva ou temporária;
  • Lesão por esforço repetitivo;
  • Síndrome Burnout e
  • Distúrbio Osteomuscular.

Em casos de apresentar sintomas ou as condições listadas, o colaborador deve buscar ajuda médica imediatamente.

Doença do Trabalho


Aqui, as condições tendem a ser mais indiretas, mas relacionadas também ao ambiente de trabalho, mas sem relação à função exercida. Um exemplo mais comum é a surdez. Imaginemos que um funcionário tenha surdez temporária devido a um barulho alto em seu setor. Esse barulho se origina de algo não relacionado a sua função. Dessa forma, se caracteriza como doença do trabalho.

Quais as doenças mais comuns relacionadas ao trabalho?

Bom, acima citamos as doenças mais comuns relacionadas ao trabalho. Abaixo, deixamos descritivos sobre elas. Confira:

Dermatites Alérgicas de contato

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD): “A dermatite de contato (ou eczéma de contato) é uma reação inflamatória na pele decorrente da exposição a um agente capaz de causar irritação ou alergia. Existem dois tipos de dermatite de contato: a irritativa e a alérgica”.

Sintomas:

Entre os principais sintomas, pode citar: ardor, pele seca, queimação até intensa coceira (prurido), erupção vermelha no(s) local(is) no qual a substância entrou em contato e bolhas.


Tratamento:

O paciente deverá procurar um médico para a realização do recurso terapêutico. Dependendo do quadro, será adotado medidas que variam da limpeza da infecção até o uso de cremes ou pomadas de corticosteróides.


Prevenção:

Em ambientes de trabalho, tomar cuidado com a exposição a substâncias que podem provocar irritação, através da higienização correta das mãos e de acordo com o ambiente de trabalho, usar luvas, calçados e uniformes, por exemplo.

Surdez Definitiva ou temporária

A surdez temporária está dentro das 8 causas de perda de audição, segundo a ASSP (Associação dos Surdos de São Paulo). Ela ocorre pelo estresse originado de ruídos muito altos no ambiente de trabalho, sendo o exemplo citado em tópicos anteriores.

Sintomas:

O principal sintomas é a surdez temporária, que pode levar até 15 dias, ou de acordo com a situação específica de cada paciente. Dependendo, pode até ocorrer prejuízos às células auditivas, gerando a surdez irreversível.

Tratamento:

Quando ocorrer, o primeiro passo é ir ao otorrinolaringologista ou ao hospital o mais rápido possível. Lembrando que origem da surdez temporária não necessária pode estar ligada a ruídos altos, mas também, a pancadas ou infecções. Dessa forma, cada quadro será analisado e o tratamento será específico será encaminhado.

Prevenção:

Da mesma forma das dermatites, no trabalho, caso seja em locais de ruído, o ideal é usar tampões e acessórios específicos para a proteção dos canais auditivos.

Lesão por esforço repetitivo (LER)

Segundo o médico, cientista e escritor, Drauzio Varella, a lesão por esforço repetitivo “não é propriamente uma doença”. É uma síndrome constituída por um grupo de doenças – tendinite, tenossinovite, bursite, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, dedo em gatilho, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do pronador redondo, mialgias –, que afeta músculos, nervos e tendões dos membros superiores”.

Sintomas:

Conhecida também como LER (iniciais da síndrome), pode gerar manifestações indesejáveis como: dor nos membros superiores e nos dedos, dificuldade para movimentá-los, formigamento, fadiga muscular e redução na amplitude do movimento.

Tratamento:

Em casos mais simples, o uso de anti-inflamatórios será receitado. Já para fases mais avançadas, a administração de corticoides, prática de fisioterapia e até mesmo cirurgias, poderão ser cogitadas.

Prevenção:

Analisar as atividades repetitivas. Manter uma postura ereta e o uso de cadeiras confortáveis. Lembrando que a Ler é um distúrbio que pode afetar qualquer região do corpo.

Síndrome de Burnout  

Sendo uma das principais condições, a Síndrome de Burnout, segundo o Ministério da Saúde: “é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade”.

Sintomas:

A lista de manifestações é grande, podendo criar entradas principais: Cansaço excessivo, físico e mental; dor de cabeça frequente, alterações no apetite, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança; negatividade constante; sentimentos de derrota e desesperança; sentimentos de incompetência, alterações repentinas de humor, isolamento, fadiga, pressão alta, dores musculares, problemas gastrointestinais e alteração nos batimentos cardíacos.

Tratamento:

O uso de psicoterapia e medicamentos antidepressivos são as opções mais comuns.

Prevenção:

É necessário a empresa, junto ao RH, notar questões que vem desmotivando e gerando essas condições no quadro de funcionários.

Distúrbio Osteomusculares

De acordo com a SBR (Sociedade Brasileira de Reumatologia), os distúrbios osteomusculares são “um conjunto de diferentes doenças que acometem o aparelho locomotor (ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos) ou outras partes do corpo e que podem ocorrer em pessoas de todas as idades”.

Sintomas:

Por ser um conjunto de doenças, há diversas condições, onde podemos citar as principais: lesões nos músculos, tendões, articulações, ligamentos, ossos, nervos e o sistema vascular.

Tratamento:

O recurso terapêutico também varia de acordo com o quadro apresentando. Mas sempre será destinado ao reumatologista: “profissional especializado em pesquisar, diagnosticar e tratar as doenças reumáticas”.

Prevenção:

É necessário evitar grandes esforços e saber o limite do corpo em determinadas situações.

Como evitar as doenças relacionadas ao trabalho?

Como citado, é necessário analisar questões que impactam diretamente os colaboradores. Imagine que todo o quadro de colaboradores esteja com alguma condição já descrita neste artigo.

Não precisamos especialistas para apostar que isso poderá gerar uma queda brusca no rendimento. A qualidade de vida é fundamental no resultado como um todo de qualquer organização.

Por isso, listamos pontos que podem ser seguidos e adotados de hoje em diante.

Ginástica Laboral:

O nome já diz, exercícios físicos em ambiente de trabalho. Aqui, os colaboradores poderão usar de técnicas que visam alongamento da cabeça, tronco, membros superiores e inferiores e técnicas de respiração.

Exercícios Físicos:

incentivar essa prática é muito importante, pois, praticar exercícios físicos é sinônimo de saúde e bem-estar. Faça informativos, traga palestras e mostre aos funcionários os benéficos de ação. 

Uso de EPI’s:

Os equipamentos de proteção individual são acessórios que podem evitar diversas condições, mas o seu uso nem sempre é respeitado, muitas vezes sendo classificado com incômodo. Novamente, é vital a informação ao quadro de colaboradores para o entendimento claro do benefício desses itens.

Ambiente saudável:

Um dos motivos que geram as questões mais envoltas na saúde mental do colaborador, é o ambiente tóxico que se cria no trabalho. Um local onde a harmonia ocorre, sendo mais leve, evita questões como a síndrome de Burnout, por exemplo.

Mas e agora que grande parte das empresas adotou o home office?

O novo mundo. A pandemia gerou uma nova adaptação das condições de trabalho, o home office. Prática que já existia, mas que aumentou significativamente. Para se ter uma ideia, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cerca de 11% dos trabalhadores brasileiros estão exercendo suas profissões em casa.

Essa nova forma aumentou a produtividade, gerou novos benefícios e uma visão diferente para determinadas empresas. Mas temos alguns pontos negativos, que se relacionam ao tema deste artigo, doenças do trabalho.

Atualmente, existem diversas condições negativas que geram malefícios ao colabores de home office, e que segundo a Divisão de Saúde, podemos citar:

  • Tempo de trabalho na posição sentada;
  • Tempo de fixação visual na tela do computador;
  • Problemas visuais dificultados pelo uso dos óculos (astigmatismo e hipermetropia) e pelo envelhecimento (presbiopia);
  • Posicionamento incorreto do corpo;
  • Esforços estáticos em diversos grupamentos musculares;
  • A alta densidade (softwares, internet, etc.).

Horas a frente do computador em um ambiente mais confortável, no caso a própria casa, pode maquiar certos segmentos corretos. Dessa forma, problemas nas mãos, nos braços, nos ombros, no pescoço ou em outras partes do corpo podem intensificar.

Como aplicar essas medidas em casa?

Abaixo, deixamos dez dicas de como melhorar o seu posicionamento e condição durante o home office.

1 – Correção visual

É muito importante que os seus óculos e visão estejam em perfeito estado, visitando o oculista sempre que possível. Horas a frente de um monitor podem gerar secura e desconforto aos olhos, sendo um problema no dia a dia.

2 – Posicionamento do computador referente a janela

Posicione o equipamento adequadamente de lado para a janela. Caso a esteja de frente ou de costas, o uso de alguma proteção (persianas) é fundamental.

3 – Posicionamento do computador referente a visão

O monitor deve estar na altura horizontal dos seus olhos. Em caso de dois ou mais, o principal deve ficar posicionado logo à frente.

4 – Cadeira adequada

Uma cadeira deve possuir no mínimo ajuste de altura do assento, ajuste de inclinação do assento e inclinação do encosto. Precisa ser giratória e com rodinhas para uma melhor locomoção, além de apoios para o braço de 20 a 25cm. 

5 – Mesa adequada

As mesas de trabalho devem possuir o tamanho de 75cm de altura, sendo ideal para maioria das pessoas. Suas bordas devem ser arredondadas e deverá existir espaço para a manipulação dos objetos, acessórios e posicionamento do monitor.

6 – Mouse e teclado

Uso do mouse e teclado necessita ter mobilidade. Disponha de acessórios novos e procure trabalhar com os braços juntos ao corpo ou apoiados sobre a mesa. Evite ao máximo esticar ou abrir o braço para operar o mouse.

7 – Trabalho com notebook.

O posto deve ser montado com o uso de mouses e teclados externos. Um apoio será necessário para manter a visão de tela do notebook ao nível dos olhos.

8 – Síntese da postura correta para o trabalho.

Esteja sempre alinhado ao eixo da cadeira, evitando ficar torto. Lembre-se do monitor alinhado horizontalmente a visão, mantendo as distâncias dos olhos de uma forma aproximada a distância do seu braço ao visor. Os antebraços devem ficar horizontalizados, apoiados sobre a mesa (formato de L). Por fim, alinhe antebraços ao teclado, coluna reta e pés apoiados, se necessário, o uso de apoios.

9 – Faça pausas

A cada 2 horas de trabalho, faça uma pausa de 10 minutos para alongamentos.

10 – Iluminação

Tenha um controle da iluminação, para que não seja tão forte ou fraca, se mantendo na medida ideal.