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As 5 regras pós-pandemia para a gestão de talentos

Através de uma breve visita ao passado, já podemos ver o quanto a transformação digital reinventou a maneira como as empresas trabalham, recrutam e gerenciam talentos. Se pudéssemos trazer um trabalhador dos anos 50 diretamente para o ano de 2021, ele se sentiria como se estivesse fazendo parte de algum episódio do seriado Black Mirror .

Hoje contamos com plataformas de videoconferência, softwares que permitem colaboração digital e em tempo real e tomada de decisões centrada em dados e inteligência artificial e humano.

Entretanto, mesmo evoluindo tanto em poucas décadas, precisamos enfrentar uma pandemia para que a transformação digital realmente tivesse força e espaço para modificar a forma como trabalhamos diariamente. É fato: nunca mais voltaremos ao ano de 2019. O trabalho remoto e híbrido foram vividos, experienciados e, até as micro e pequenas empresas que dificilmente teriam a oportunidade, de transformarem os seus negócios, tiveram que fazer.

Para aqueles que já buscavam um equilíbrio profissional e familiar está usufruindo muito das possibilidades remotas. Ainda bem que a tecnologia já tem um potencial enorme de facilitar essa realidade. Imagina enfrentarmos essa pandemia há 30 anos? A realidade econômica seria diferente e, se hoje muitas empresas já fecharam, certamente teríamos ainda muito mais se essa pandemia fosse nos anos 1990.

Depois dessa pandemia, todos sairemos mais fortes e com um grande desenvolvimento da capacidade de adaptabilidade e resiliência. Não fomos preparados para essa crise, ela simplesmente chegou. E, a grande maioria dos trabalhadores, mesmo exaustos, cansados e assustados, fizeram o seu melhor para entregar o que deveria ser entregue. Os aprendizados que estamos tendo com a pandemia, certamente levaríamos muitas décadas para adquirir.

O que já sabemos sobre os impactos da pandemia

A Humanyze, a empresa que cunhou o termo People Analytics, realizou um estudo que concluiu que mesmo que o trabalhador durante o trabalho remoto tenha aumentado a jornada de trabalho em 10% a 20%, os níveis de estresse e emoções negativas relacionadas ao trabalho diminuíram. Além disso, houve um aumento médio de 40% do bem-estar e melhor comunicação entre times e líderes.

A Microsoft, nos primeiros meses da pandemia, constatou um aumento de 200% nas reuniões virtuais, o que resultou em um total de 2,7 bilhões por dia. Mesmo que as equipes virtuais e o trabalho remoto já eram praticados por algumas empresas antes da pandemia chegar, a aceitação desta ideia pela grande maioria das empresas ainda estava muito distante. Hoje, empresas como Twitter e Square, entre outras, já anunciaram que seus funcionários poderão trabalhar home office “para sempre”.

Mais um dado que embasa isso é a análise global publicada pelo ManpowerGroup: oito em cada dez trabalhadores desejam um trabalho mais remoto, a fim de obter uma combinação mais saudável entre vida profissional e vida privada.

5 regras já conhecidas pós-pandemia

Os benefícios de uma força de trabalho remota, híbrida e ágil estão sendo amplamente debatida. E, o que podemos compartilhar são essas 5 oportunidades que devem ser consideradas neste momento:

1. A tecnologia aprofunda as conexões humanas:

O que víamos até agora era uma realidade desoladora e desumana diretamente relacionada às novas tecnologia, como a inteligência artificial, por exemplo. Além disso, há alarmes exagerados sendo acionados a respeito da automação.

O trabalho humano em parceria com a inteligência artificial sempre produz melhores resultados que sem a IA. Ou, a IA sem o trabalho humano. Ambos precisam estar juntos. Não estamos mais apenas colaborando através da tecnologia, nós estamos administrando negócios, mantendo contato com familiares, fazendo parte de eventos e educando nossos filhos, tudo através da tecnologia. A tecnologia está cada vez mais humana através de conexões digitais profundas tendo como alicerce os laços genuinamente humanos.

A crise transformou o software de colaboração em “software de convivência”, com a Microsoft divulgando um aumento de 10% nas reuniões sociais (incluindo o “dia do pijama” ou o “dia do pet”) nos últimos meses. Tudo isso nos permite existir “no mesmo espaço e ao mesmo tempo” juntos, enquanto nós determinamos o lugar.

2. Construindo a cultura fora dos edifícios

Um CEO de uma empresa da Fortune 500 perguntou: “Como é possível criar uma cultura sem estarmos no mesmo lugar”? A resposta é que a cultura não existe dentro das paredes dos escritórios; ela existe dentro das pessoas. Ou seja, você tem que construir a cultura por meio das pessoas, não importa onde elas estejam.

A prova de que isso é coerente é que as pessoas podem usar uma mesma tecnologia, mas experimentar o trabalho de uma maneira muito distinta quando mudam de uma empresa para outra. Ou seja, a cultura é sobre como conduzimos o nosso barco, é a soma de comportamentos, preferências, valores e decisões padrões que tornam a organização, mesmo de forma remota, em um habitat único.

 

3. Trabalho como base da vida

A pesquisa ManpowerGroup também revelou que a primeira preocupação dos trabalhadores pós crise é se manter saudáveis e a segunda é manter a flexibilidade de trabalho.

O desejo da grande maioria é trabalhar remotamente alguns dias por semana, através de um ambiente híbrido, sem precisar enfrentar o trânsito todos os dias. O desafio para o trabalho híbrido será repensar em uma nova forma para que esse espaço continue criando a conexão humana.

Quando falamos sobre as gerações, encontramos a Geração Z como os otimistas em voltar ao escritório vendo o ambiente de trabalho como fonte de socialização e aprendizados. Já a Geração X e os Boomers, que lideram muitas empresas hoje, apreciam a separação que o local de trabalho físico traz em suas tentativas de manter o trabalho e a casa um pouco mais separados.

É fundamental que os líderes percebam que, embora os funcionários ainda desejem ir ao escritório ocasionalmente, poucos querem frequentá-lo diariamente.

4. A tela como o grande nivelador

Antes da pandemia muitos já tinham experienciado reuniões onde um ou alguns participantes estavam de forma remota. Porém, por falta de experiência nesta situação, era bastante comum que esses participantes estavam apenas presentes, como espectadores da reunião presencial. Havia uma vantagem de estar presencialmente. Quem estava online normalmente não tinha voz ativa.

Hoje temos mais experiência no assunto e, por vários meses, todas as telinhas da videochamada tinham o mesmo tamanho, ou seja, ninguém ali tinha voz mais ativa que o outro. Todos estavam online e ninguém precisa mais ser apenas o espectador.

Por isso, quando o ambiente híbrido reinar pós-pandemia, as reuniões darão forças iguais às vezes, sejam elas presentes ou remotas. E isso mudará muito como a reunião é conduzida. Esse aprendizado foi adquirido em poucos meses, mas sem a pandemia, poderia levar vários anos.

5. O talento agora é global

O vírus está confinando as fronteiras físicas, mas está tornando o talento cada vez mais global. Há não muito tempo, quando um recrutador estava buscando um talento em outro Estado ou país, uma das primeiras perguntas mais comuns era: “você está disposto a se transferir para cá?” E isso, por diversas vezes, era um fator limitante.

No entanto, mais recentemente, temos visto uma maior autonomia por parte dos talentos qualificados, em que determinam onde escolhem viver e onde contribuem para o trabalho. A tecnologia e a pandemia aceleraram a desvinculo entre o talento e a sua localização. Os profissionais desenvolvedores de softwares já estavam nesta jornada antes da pandemia. Mas, agora, o talento é global em muitas outras profissões.

Os empregadores agora percebem que podem encontrar os melhores talentos em qualquer lugar do mundo, desde que tenham uma conexão de internet.

Segundo estimativas da revista The Economist , abrir fronteiras para liberar talentos resultaria em um aumento de US$ 78 trilhões no PIB mundial: “A mão-de-obra é a mercadoria mais valiosa do mundo – no entanto, por conta de regulamentações de imigração rígidas, boa parte dela é desperdiçada”.

Se você ainda não percebeu, o talento é a nova moeda global. As empresas que conseguirão os melhores são as que tiverem forte cultura dentro e fora dos escritórios, inclusão e tecnologia para encontra-los, contratá-los e retê-los.

 

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