Do RH para o RH Digital: as 5 dimensões a serem consideradas

Por Valquíria Cabral – gerente da área de Consultoria da Afferolab. Especialista na utilização de formatos inovadores para desenho e implantação de Universidades e Academias Corporativas, a profissional tem MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e Certificação em ROI para Treinamentos.

Fonte: www.mundorh.com.br

A transformação digital já se tornou clichê corporativo e, novamente, assim como aconteceu com o termo Indústria 4.0, os líderes e gestores estão deixando o tema de casa por fazer e terão que correr contra o tempo para entregar os resultados na véspera da data de entrega.

A transformação digital se tornou urgente e quem não se adequar de maneira correta, será engolido pelo mercado que se preparou através de um mindset voltado à essa nova realidade. Ela trouxe novos pensares para todos os negócios em todas as escalas: do chão de fábrica à diretoria, do público interno ao cliente final. O nosso questionamento para a área de RH é: como não ficar para trás quando o assunto é transformação digital?

Essa é uma preocupação de 45% dos gestores de RH, segundo a pesquisa feita pela Afferolab, que mostrou a dedicação da área em apoiar seus processos nos conceitos da transformação digital. O Brasil, entretanto, ainda engatinha e tem muita evolução pela frente. Acompanhe alguns dados revelados no estudo Tendências de RH 2019 realizada pela Great Place to Work:

  • 26% das empresas participantes estão dando os primeiros passos rumo à transformação digital;
  • 14% delas, simplesmente estão ignorando a tendência e não estão preocupados em estudar ou se adaptar à mudança;
  • 25% dizem estar mergulhados nos estudos e na aplicação da transformação digital nos processos internos.

Dois dos pilares da transformação digital que abordaremos aqui são: a área de Recursos Humanos e a de Aprendizagem. Embora em muitas empresas essas áreas são consideradas distintas, geralmente elas estão em poder do mesmo gestor. Isso porque o RH tem como um dos seus deveres oferecer ferramentas para que o profissional esteja sempre aprendendo, se reciclando e se desenvolvendo.Como mudar o posicionamento desses pilares e se destinar rumo à transformação digital?

5 dimensões que provocam transformação digital dentro das organizações

Podemos dizer que essas 5 dimensões estão diretamente ligadas à transformação digital e devem fazer parte da reflexão organizacional dos líderes e gestores de RH.

Experiência do colaborador

Você conhece a jornada do seu colaborador? Ela consiste em ter conhecimento dos processos desde antes da chegada dele até o dia final, quando há o desligamento da empresa. Utilize os gaps e os desafios para desenvolver melhores jornadas. Isso irá permitir que o RH e a área de Aprendizagem consigam ver o processo como um todo e identificar pontos onde a transformação digital pode ser aplicada.

Cultura

O mindset cultural dentro da transformação digital já existe. É importante ser digital para então fazer digital e depois parecer digital.

A cultura digital é totalmente focada no indivíduo, por isso, ele realmente precisa ser digital e você consegue identificar isso através da criatividade, colaboração, habilidades de empatia e às soluções buscadas para atender as necessidades humanas e da organização. Isso é SER digital.

Para suprir o FAZER digital, o colaborador precisará pensar em como modernizar processos e implementar soluções tecnológicas e inovadoras que permitam que a empresa entregue mais agilidade e otimização de resultados, sempre focado no core business. Fazer digital não é somente saber usar as ferramentas, mas sim saber onde usar essas ferramentas dentro dos processos internos.

Depois dessas duas áreas dominadas, é hora da empresa se posicionar como uma organização digital perante o mercado em que atua, ou seja, PARECER digital. É aqui que ela será reconhecida como uma empresa adaptável, flexível e resiliente.

O erro das empresas é querer realizar esse processo de trás para frente. Elas primeiro querem parecer digital, depois querem ser digitais e por último se preocupam em fazer digital. A primeira regra para o mindset digital é compreender a coerência de realização nessas 3 fases.

Liderança

Inovação e mudança vêm de boas lideranças.  Por isso é necessário o RH ter um olhar atento à liderança das equipes. É através do desenvolvimento das pessoas, das decisões de processos e da formação das equipes que são implementadas as soluções focadas na transformação digital.

Novas habilidades

A transformação digital exige habilidades técnicas e comportamentais. Um importante passo é realizar o mapeamento dessas habilidades e depois olhar para dentro das equipes para identificar quais os perfis que devem ser buscados.

Os soft skills das empresas 4.0 são: fluência digital, mindset voltado ao crescimento, flexibilidade, adaptabilidade a mudanças, resiliência e pertencimento a diferentes tribos etc. São profissionais com esses skills que conseguem contribuir de forma efetiva para mudanças voltadas à transformação digital.

 Modelos de Gestão

A última dimensão que abordaremos aqui é o modelo de gestão que a empresa adota e a importância de revisar os processos internos e identificar métodos mais ágeis e organizados para a sua equipe. A aposta em tecnologias exponenciais resulta na aplicação do aprendizado e na melhora dos resultados. “Fazemos assim porque sempre foi feito assim” é uma frase que deve ser proibida dentro das organizações. É preciso estar cada vez mais focado em uma gestão que busque fazer mais e melhor na mesma medida em que otimiza recursos.

O principal papel do RH é se utilizar da transformação digital para ajudar as empresas a se manterem mais competitivas nesta nova realidade. Não existe um destino final do RH rumo à transformação digital, essa será uma jornada contínua, acompanhando os movimentos que a tecnologia e as inovações trarão para o mundo dos negócios. Quem é responsável pela transformação são as pessoas e o RH é responsável pelas pessoas.